Crítica | Banal

Banal Polyana Zappa O curta “Uma Família Ilustre” mostra o diálogo entre Cláudio Guerra, ex-delegado da Polícia Civil e Eduardo Passos, psicólogo clínico. Na pauta, a execução dos militantes presos durante a ditadura. Tudo começa quando o psicólogo pergunta ao ex-delegado como gostaria de ser tratado, pois agora, se tornou pastor evangélico. De um poder ao outro, Cláudio Guerra escolhe ser reverenciado como “pastor”, com a bíblia na mão vai respondendo e apontando para os retratos das vítimas que foram incineradas e assassinadas por ele. Quando o pastor responde que cumpria ordens, me lembrou a questão abordada em Banalidade do Mal de Hannah Arendt, filosofa judia, que apresenta o mal com ol

Crítica | Mortos-vivos

Mortos-vivos Matheus Rodrigues Uma belíssima paisagem. A incrível fotografia de “Atotô” me fez voltar à infância. No tempo que eu viajava com meus avós pelo interior e via montes e montanhas vazios, com a imensa natureza em volta. Desta mesma forma, o curta passa essa calmaria e beleza fotográfica, beneficiada pela locação. Jogos de cena e planos sequência completam o cenário, dando sentido à sensação de imensidão e sossego. No entanto, a preocupação parece não ir muito além desses aspectos. Um roteiro confuso, tratando de “supostos coveiros” e um trabalho familiar, que se contrapões, em alguns momentos, com uma criança que cava uma cova para um morto desconhecido – um ser cheio de vida em o

Crítica | Detonar

Detonar Polyana Zappa São 4 minutos. Intervenção, ato de intervir, ação conciliadora de terceiro, intermédio. O instigante curta passa tão rápido que talvez se piscarmos acaba. O que temos são duas policiais militares limpando cassetete, ora ensaboando, ora com mangueira enxaguando. O que significa? A ação já foi, será ou é somente uma rotina flagrada. Um diálogo ao fundo que não identificamos. Confuso até perceber que não se trata da conversa das policiais e sim de pessoas que a observam em meio aos arbustos. Estamos num jogo de xadrez? Povo x Força Militar? Diretor x Espectador? Diante das manifestações ocorridas ao longo de 2015, associamos a uma possível ação dos interlocutores sobre as

Crítica | Mais difícil que parar de fumar

Mais difícil que parar de fumar Maria Júlia de Souza Matos “Quando parei de me preocupar com canalhas” começa com três homens aparentemente discutindo política numa mesa de bar. Quando vi que um desses rapazes era o Matheus Nachtergaele, logo pensei que ele poderia ser o protagonista do filme. Dito e feito. Em um corte rápido e vemos uma mulher, seminua, dançando e se deixando filmar. Depois vemos que ela tem uma ligação com o protagonista, afinal, ele aparece assistindo o tal vídeo, em frente à mulher, que chorava e parecia arrependida. É quando começa o “drama” da vida do personagem. Ele se vê obrigado e pegar um taxi, pois teve que vender seu carro, e no taxi o motorista não para de falar

Crítica | Solidão

Solidão Matheus Rodrigues O comovente curta mostra a relação interpessoal de duas senhoras de idade, vizinhas, que moram sozinhas. Planos simples e ambientes sem muito imbróglio, mas ao mesmo tempo ricos em detalhes, como as cores das casas, santinhos e panelas. Assim se caracteriza a vida simples das personagens. As luzes e a própria falta dela fazem um contraponto com a história relatada, e, em alguns momentos, dá uma sensação de tédio (como em filmes da década de 30, 40) com cortes lentos e um roteiro mais “cult” e calmo – eu, pessoalmente, prefiro uma mescla de momentos de tensão e ação, rapidez e calmaria – mas cumpriu sua missão, dentro da proposta e objetivo de passar o drama vivido.

Crítica | Dá licença de contar porque me encantei

Da licença de contar porque me encantei Joel B. Ramos. A “paulicéia desvairada” e não ainda tão caótica dos anos 50 é o pano de fundo da emocionante cinebiografia de um dos maiores e mais queridos compositores da música popular brasileira: Adoniran Barbosa! Um artista que soube retratar a cidade de São Paulo com seu sotaque muito peculiar: a gostosa junção do jeito caipira e italianado do bairro onde viveu por quase toda sua vida... A mistura das cores e das diversas etnias que fizeram de Sampa uma cidade das oportunidades para quem teve a coragem ou oportunidade de vir para cá e tentar a vida. Adoniran soube transformar em música a dura realidade da metrópole que ia surgindo. Um misto de do

Crítica | O Amigo Imaginário

Durante a oficina de crítica do XI Cinefest Gato Preto, os alunos escreveram textos sobre os filmes do festival. Vamos, aos poucos, postar todos eles aqui no site. No de hoje, Polyana Zappa escreve sobre o curta "Cordilheira de Amora II" O Amigo Imaginário Polyana Zappa A indígena Carine Martines, de 9 anos, da etnia Guarani kaiowá, mora na fronteira do Brasil com o Paraguai e projeta em seu quintal uma realidade idealizada com embalagens e sucatas transformadas em objetos do cotidiano da classe média brasileira. De suas raízes percebemos somente o sotaque, que a mantém em sua etnia. Fora isto, temos uma menina articulada e que projeta situações do dia-a-dia em meio às folhagens, lajotas e r

A Gota do Gato - Oficina de Crítica

Texto criado por Camila Zappa, aluna da oficina de produção de crítica cinematográfica do XI Cinefest Gato Preto. A Gota do Gato É como se uma gota caísse sobre a superfície paralisada de um copo com água. Quando ela impacta na água, os movimentos circulares, concêntricos, irradiam a partir desse ponto. Essa água pode transbordar ou não fazer muito movimento. Essa pequena ação seria um belo exemplo para traduzir os meus sentimentos diante do Cinefest Gato Preto. Eu sou a água no copo e o cinefest é a gota que causaria tal mudança na água. Posso não saber muito de cinema, mas adoro um bom filme. Nessa semana, confesso que fiquei aérea e fora da realidade, pois com os curtas que assisti (no to

Premiação do XI Cinefest Gato Preto

Em uma noite emocionante, do dia 1 de novembro de 2015, a equipe do XI Cinefest Gato Preto anunciou a premiação dos filmes, cartaz e roteiro criado na oficina desta edição do festival. O Júri, composto por William Hinestrosa, Keka Reis e Renata Druck deu um total de 11 prêmios. Resolveram trocar o prêmio de produção por um prêmio especial do júri e dar duas menções honrosas. MOSTRA COMPETITIVA PRÊMIO DIREÇÃO DE ARTE: Castillo y el Armado (arte de Ruben Castillo) PRÊMIO ROTEIRO: Ruby (Luciano Scherer e Guilherme Soster) PRÊMIO DESENHO DE SOM: João Batista (som de Rodrigo Meireles e Marcio Zaum) PRÊMIO DIREÇÃO: Macapá (direção de Marcos Ponts) PRÊMIO FOTOGRAFIA: Barqueiro (fotografia de Andre

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