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Crítica | Mortos-vivos


Mortos-vivos

Matheus Rodrigues

Uma belíssima paisagem. A incrível fotografia de “Atotô” me fez voltar à infância. No tempo que eu viajava com meus avós pelo interior e via montes e montanhas vazios, com a imensa natureza em volta. Desta mesma forma, o curta passa essa calmaria e beleza fotográfica, beneficiada pela locação. Jogos de cena e planos sequência completam o cenário, dando sentido à sensação de imensidão e sossego.

No entanto, a preocupação parece não ir muito além desses aspectos. Um roteiro confuso, tratando de “supostos coveiros” e um trabalho familiar, que se contrapões, em alguns momentos, com uma criança que cava uma cova para um morto desconhecido – um ser cheio de vida em oposição à um corpo sem vida. Mesmo assim a trama não consegue explicar de forma mais porque isso acontece. Porque aquelas cenas noturnas, numa casa que parece ser um centro religioso, e o porquê do caminho percorrido pelo o que vou chamar de “família coveira”.

Ao pé do que foi dito, primeiramente pensei que os atores fossem apáticos, pois não percebi nenhuma expressão de alegria ou sofrimento, de dor ou animação, de nada, nem ao menos neutralidade. Você pode fazer um personagem neutro, mas não ser neutro para um personagem. Porém, com mais reflexão, acredito que em parte não foi culpa dos atores, mas possivelmente da preparação de elenco e/ou direção que sofreu com o roteiro confuso, que atrapalhou as áreas seqüentes. A direção de elenco pareceu trabalhar no “botão automático”. Então, tirando as belíssimas imagens e paisagens, não teria a mínima vontade de rever.

Filme: Atotô

Direção: Bruno Laet

Crítica criada na Oficina de Produção de Crítica Cinematográfica do XI Cinefest Gato Preto


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