• Victor Fisch

Os povos nativos e o Gato Preto


A relação do Cinefest Gato Preto com os indígenas é frequente.

Neste texto faremos um panorama dos últimos anos, desde 2015 até a seleção deste ano e sobre os filmes que tocam na causa indígena.

Começamos por dois filmes que estão na programação deste ano no festival.

O primeiro é um filme do Vale do Paraíba, realizado em São Sebastião: "A Alegria da Terra", de Melquior Brito e Priscila Jácomo. O filme registra um encontro de palhaços não indígenas com fazedores de riso indígenas. Para alguns povos originários o palhaço é como um pajé, um ser espiritual muito respeitado na tribo porque porque tem o dom de trazer a alegria. O riso conecta as culturas. O filme foi feito na aldeia Guarani Rio das Silveiras e reuniu indígenas guaranis, indígenas kariris xocós e palhaços.

O filme "A Alegria da Terra" será exibido na Sessão Mostra do Vale 2. Coloque na agenda.

Outro filme na programação deste ano que encanta por seu formato é o curta "Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada", de Haya Kalapalo, Tawana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini de Carvalho. O filme apresenta uma aldeia Kalapalo através do olhar das crianças. Foi feito a partir de uma oficina audiovisual realizada na aldeia.

Ele está programado na Sessão Infantil, que traz filmes realizados em oficinas com crianças. Veja o trailer:

No ano passado, 2016, tivemos um filme manauara na Mostra Competitiva, "Pranto Lunar" de Dheik Praia. Essa era a sinopse do filme: Waty vê os anos escorrerem pelas mãos e sua memória reconstrói aquela noite de luar. Seu povo morreu mas a história se repete a luta não acabou. Ontem foi Jurupari e hoje? O belo filme já pode ser visto online:

Além dele, também tivemos um filme do Vale do Paraíba que retratava uma expedição voluntária de saúde na Bahia, que incluia trocas com indígenas. Foi o curta "Ser Voluntário", de Gustavo Chicarino. Ele escreve o seguinte sobre o filme: "Chegar a Santa Cruz Cabralia na costa do Descobrimento e ver os índios é uma experiência individual e intransferível, a beleza do povo indígena, as cores, os costumes e a música é uma coisa difícil de verbalizar. A única coisa que eu não conseguia parar de pensar é como foi realmente a chegada dos portugueses e como esse povo está fadado ao sofrimento até hoje. Essa experiência trouxe à tona um questionamento complexo e denso sobre Ser Humano e ser humano no sentido adjetivo da palavra, pois o que me levou a cabralia foi o projeto Voluntarios do sertão e na condição de jornalista tive a missão de documentar esse projeto e foi impossível não me comover com tanta gente precisando de ajuda, a falta de infra estrutura na área da saúde , a falta de saneamento básico e todas as mazelas da existência caótica do nosso povo brasileiro."

Já na Sessão Juvenil de 2016 tivemos uma animação que remonta um mito indígena, da tribo Mawé. "Iami, a origem da noite", de Thiago Macedo. Sinopse: Uanhã é um índio Mawé que certa noite presencia um fato inacreditável, o roubo da noite. Agora ele precisará da ajuda do pajé para ver a lua outra vez.

Deste curta só é possível ver o trailer ainda:

E em 2015, finalmente, tivemos o belíssimo curta "Cordilheira de Amora II", de Jamile Fortunato, sobre uma garota Guarani Kaiowa. A indiazinha Guarani Kaiowá Carine Martines vive na vila indígena de Amambai, no Mato Grosso do Sul, e transforma seu quintal em um experimento do mundo.

Este filme está disponível para ser visto online:


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