Crítica | Mais difícil que parar de fumar

November 17, 2015

 

Mais difícil que parar de fumar

 

Maria Júlia de Souza Matos

 

“Quando parei de me preocupar com canalhas” começa com três homens aparentemente discutindo política numa mesa de bar. Quando vi que um desses rapazes era o Matheus Nachtergaele, logo pensei que ele poderia ser o protagonista do filme. Dito e feito.

 

Em um corte rápido e vemos uma mulher, seminua, dançando e se deixando filmar. Depois vemos que ela tem uma ligação com o protagonista, afinal, ele aparece assistindo o tal vídeo, em frente à mulher, que chorava e parecia arrependida.

 

É quando começa o “drama” da vida do personagem. Ele se vê obrigado e pegar um taxi, pois teve que vender seu carro, e no taxi o motorista não para de falar. Falava sobre tudo; desde a importância de alguém pegar um taxi – fazendo propaganda do seu próprio trabalho – até discursos mais engajados, sobre como ele preferia o país na época da ditadura militar. Enfim, alguém bastante esnobe, sem argumentos, e que reclamava demais.

 

Neste instante entra na trama outro personagem. Um motoboy cubano que vira o narrador da história. No momento em que este narrador faz uma analogia entre os taxistas e as pessoas que reclamam de mais, percebemos subitamente a crítica da produção.

 

As cenas dos rapazes discutindo sobre política na mesa ao lado do bar e a cena do personagem principal, em sua casa, sem conseguir pensar em nada de produtivo e assistindo um programa banal na sua minúscula televisão – que muito me incomodou, diga-se de passagem – nos faz perceber a total crítica à sociedade atual, onde as pessoas estão sofrendo com a ociosidade e que só se motivam para falar mal de políticos, os culpando por todos os problemas da nação.

 

Parecia que a vida do personagem se Nachtergaele e os seus problemas com a mulher eram menores e completamente esquecidos no momento em que, supostamente, ele “cuidava” da vida dos outros. Quando a discussão se encerrava, então, ele sentia o vazio e a falta do que fazer. Lembrava-se da sua vida e de seus problemas pessoais. A fotografia ajuda a criar esse cenário comum, com cores claras, e cenários simples.

 

A pesar desse clima pesado de discórdia política e isolamento pessoal, o curta tem seu lado cômico. Não entendi a escolha do motoboy cubano narrando a história (e falando espanhol). Pareceu-me um pouco aleatório, mas virou um personagem marcante, que nos faz rir – mesmo que essa não seja a intenção primeira. Por fim, só me resta concluir com o conselho ao protagonista “é mais difícil esquecer os problemas do que parar de fumar”.

 

Filme: Quando parei de me preocupar com canalhas

Direção: Tiago Vieira

Crítica criada na Oficina de Produção de Crítica Cinematográfica do XI Cinefest Gato Preto

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