Crítica | Detonar


Detonar

Polyana Zappa

São 4 minutos. Intervenção, ato de intervir, ação conciliadora de terceiro, intermédio. O instigante curta passa tão rápido que talvez se piscarmos acaba. O que temos são duas policiais militares limpando cassetete, ora ensaboando, ora com mangueira enxaguando. O que significa? A ação já foi, será ou é somente uma rotina flagrada.

Um diálogo ao fundo que não identificamos. Confuso até perceber que não se trata da conversa das policiais e sim de pessoas que a observam em meio aos arbustos. Estamos num jogo de xadrez? Povo x Força Militar? Diretor x Espectador?

Diante das manifestações ocorridas ao longo de 2015, associamos a uma possível ação dos interlocutores sobre as policiais. Estampido, tela escura e créditos. Acabou.

Fora deste contexto, temos uma situação de voyeurismo, pois espiamos as duas mulheres que aparentemente estão apenas limpando cassetetes. Objeto fálico ensaboado e alisado, o erotismo inserido numa circunstância de possível violência.

Num país em que os valores estão ausentes e que a anomia representa o momento em que vivemos, o que nos resta é observar.

Filme: Intervenção

Direção: Pedro Maia de Brito

Crítica criada na Oficina de Produção de Crítica Cinematográfica do XI Cinefest Gato Preto


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