Crítica | Banal

November 25, 2015

 

 

Banal

 

Polyana Zappa

 

O curta “Uma Família Ilustre” mostra o diálogo entre Cláudio Guerra, ex-delegado da Polícia Civil e Eduardo Passos, psicólogo clínico. Na pauta, a execução dos militantes presos durante a ditadura.

 

Tudo começa quando o psicólogo pergunta ao ex-delegado como gostaria de ser tratado, pois agora, se tornou pastor evangélico. 

 

De um poder ao outro, Cláudio Guerra escolhe ser reverenciado como “pastor”, com a bíblia na mão vai respondendo e apontando para os retratos das vítimas que foram incineradas e assassinadas por ele.

 

Quando o pastor responde que cumpria ordens, me lembrou a questão abordada em Banalidade do Mal de Hannah Arendt, filosofa judia, que apresenta o mal com olhar político e banal. Um bom funcionário apenas cumpre as ordens em sua cega obediência ao sistema político vigente. Realiza o mal por mera banalidade, sem reflexões.

 

Entre perguntas e respostas, aparece o relato de uma viúva que quer saber como o seu marido foi morto. De um lado a dor da perda e do outro a coisificação. O pastor relata que uma das vitimas foi incinerada sem o braço, a outra ele teve que dar um tiro de “misericórdia”. Retrato a retrato sua fala reforça o “dever cumprido”.

 

Num país considerado “sem memória”, Uma Família Ilustre, permite a reflexão do que não podemos esquecer, ou melhor, banalizar a nossa história. Se buscarmos em nossas famílias ou pessoas próximas, encontraremos sempre um relato do que foi esta época no Brasil. Na massificação, temos a incapacidade de reflexões e até o desejo da ditadura voltar.

 

Filme: Uma família ilustre

Direção: Beth Formaggini

Crítica criada na Oficina de Produção de Crítica Cinematográfica do XI Cinefest Gato Preto

Please reload

Posts principais

O Festival desse ano acontece em SETEMBRO!

20 Feb 2020

1/4
Please reload

Mais recentes

October 24, 2019

Please reload

Arquivo
Please reload