444 inscritos no XIII Cinefest Gato Preto


444 filmes querem ser exibidos no Gato Preto de 2017, que acontece no final de novembro, em Lorena (SP).

Nós agradecemos a confiança e o desejo de exibir os curtas no Festival. Claro que não é possível exibir tudo. Então tentamos fazer a melhor seleção possível. Cada filme é assistido por dois curadores auxiliares. Depois passam por outro processo de seleção, para enfim chegarmos na lista final.

Mas antes disso, vamos fazer uma breve análise dos números desses 444 curtas inscritos. Sempre preocupados com o mundo do curta-metragem, queremos entender esses filmes. De onde vêm? Por quem são feitos? E como foram feitos. Pensando nisso, começamos em 2015 uma parceria com a Avesso Sustentabilidade, que analisa uma pesquisa de sustentabilidade preenchida pelos inscritos. Aos poucos vamos colocando essas informações já na ficha de inscrições. (para quem não preencheu a pesquisa de sustentabilidade, aqui está: https://goo.gl/forms/m1JTxOQgo1MdaNM42)

Curiosidade: duração que os cineastas mais gostam para seus filmes é 15 minutos, com 20 em segundo lugar.

Não surpreende, portanto, que 25% dos curtas tenham sido realizados nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Nas cidades! Se considerarmos os Estados de SP e RJ esse número sobe para 45%. É compreensível que isso aconteça, mas não deixa de ser notável. Os filmes aqui da região do Vale do Paraíba (SP), onde o Festival acontece, finalmente começou a subir. Dos inscritos, 7% são da região! Isso é uma ótima novidade para o Gato Preto, que se compromete a ter ao menos 10% dos selecionados com filmes locais. Desses, 5 produções são Lorenenses, o que é um grande salto também em quantidade!

Outro dado interessante que é novidade na ficha de inscrição é a declaração de gênero e de raça. Como sabemos que o universo do cinema é ainda muito dominado por homens, era de se esperar que houvesse um domínio deles nas principais funções. Surpreendem as produtoras, que são mais numerosas que os homens (49% a 47%). São também maioria em Direção de Arte (68%). No entanto, os homens cis são 69% dos diretores, 64% dos roteiristas, 79% dos fotógrafos, 81% dos desenhistas de som, 72% dos montadores e 68% dos criadores de cartazes. Mas quando se trata do elenco principal, a representação ficou exatamente igual. Um dado interessante.

Nós também permitimos que a equipe se auto-declarasse negra ou indígena. Muita gente se auto-declarou outras coisas também, como brasileiro ou ser humano, mas vamos nos concentrar aqui no dado que buscamos. Dos diretores, 11% se declaram negros e 3% se declararam indígenas. É importante considerar que não era uma resposta obrigatória para a inscrição, o que deixa a porcentagem com certa margem de erro. E é uma porcentagem que se repete em todos os casos, até no elenco.

O mais surpreendente talvez seja o dado de que 47% dos filmes são inéditos. Ou seja, nunca foram exibidos publicamente. Isso significa que mais de 200 curtas nunca foram exibidos. Talvez estejam se inscrevendo pela primeira vez, talvez já tenham inscrito o curta em vários e recebido negativas, o que é sempre frustrante para o realizador. Mas fato é que não existe espaço suficiente para a exibição de tantos filmes. Uma produção volumosa dessa merece políticas públicas voltadas a isso. E merece mais espaços de exibição. Importante ressaltar que uma parte significativa dessa produção é feita sem recursos. Projetos que os cineastas acreditam, por amor à arte. Não é possível que nós, enquanto sociedade, sejamos tão displicentes em relação a todo esse amor.


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